“Detritos” by Vhils coming

And looks like Vhils is about to have a new solo show in Porto, following on the lines of his latest collaboration with Orelha Negra video. You can find the info for the show, and press release inside.

Flyer

Press Release (PT only)

As culturas marginais do graffiti e da street art têm sido profícuas nos últimos anos em trazer à frente novas e férteis propostas estéticas que se encontram algo removidas dos contextos mais tradicionais da arte contemporânea. Alexandre Farto, que se iniciou no graffiti sob o nome de Vhils, tem desenvolvido trabalho de autor desde o início da década de 2000, edificando uma proposta claramente sintonizada com uma leitura crítica do espaço urbano e do modelo de desenvolvimento sócio-económico que o promove e o sustenta.
Na continuação do trabalho que o autor tem produzido em contextos tanto de rua como de galeria, “Detritos” apresenta-se como uma reflexão sobre os resíduos que resultam do atrito exercido sobre determinadas superfícies que se manifestam como simbólicas. A profusão de camadas que compõem a estrutura das formas e objectos do nosso universo cultural urbano são tomadas como uma representação alegórica do acumular de experiências individuais e colectivas no decurso do processo histórico que, seguindo uma prática formalista manifestamente destrutiva, o artista tem procurado remover num acto simbólico de arqueologia. Contudo, onde nas séries anteriores da sua obra expressas no conceito “Scratching the Surface”, o trabalho sobre cartazes de rua, paredes e outras superfícies devolutas procurava expressar e representar a procura de uma essência perdida sob essas camadas, em “Detritos” Alexandre Farto propõe-se explorar de um modo ainda mais intenso, recorrendo a processos ainda mais brutalistas, a fragilidade e volatilidade das edificações culturais de civilização e educação na condição contemporânea dos grandes centros urbanos, em que o agudizar das pressões sociais e económicas consegue facilmente fazer estalar o verniz acetinado que cobre a superfície e a aparência das coisas, trazendo ao cimo manifestações primárias e selvagens que em tempos de estabilidade e conforto são relativizadas e esquecidas, enterradas no passado longínquo, tidas como devidamente domesticadas e estabilizadas: extremismos, conflitos sociais, xenofobia, proteccionismo e convulsões económicas, relações de exploração e dominação.
Em “Detritos”, dois momentos de expressão diversa encerram em si a manifestação deste paradigma: o trabalho sobre cartazes representa todo o rasto visual da linguagem de dominância expressa pela publicidade, um falso discurso profético de promessas e ilusões, da construção de sonhos inatingíveis e utopias plastificadas que conduzem a população num percurso acrítico e desumanizado, como o “burro atrás da cenoura”; o trabalho sobre paredes encerra a ideia de fragilidade da condição social em tempos de crise, onde os estados mais basilares e conflituosos que parecem definitivamente enterrados sob as camadas que compõem o edifício histórico, são facilmente expostos com o mínimo de pressão, bastando uma pequena faísca para os trazer de novo à superfície, de forma explosiva, rompendo a fragilidade ténue e volátil das convenções e da estabilidade que as mantinha sob controlo.
Neste jogo de valorização das sobras, do realçar dos restos, da consciencialização do carácter explosivo das fragilidades do sistema, o autor sublinha o eterno retorno à condição primária do ser humano em sociedade, em que presente e futuro encontram-se de forma inextricável dependentes do passado, e as suas várias facetas mais não são que uma diversidade de expressões complementares da mesma realidade.

 

Miguel Moore

Where?

Start Time: Saturday, March 12th, 2011 at 16h
End Time: Saturday, April 23th, 2011
Location: Galeria Presença, Rua Miguel Bombarda 570 – 4050-379 Porto

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